segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Banda sonora para a minha vida.



Como passo sempre algum tempo da minha vida a construir a banda sonora da mesma, decidi que esta música seria a ideal para o meu declínio. Momentos antes do desespero, segundos antes da morte. Num último fôlego que suspenso se agarra à vida, um último suspiro onde sussurrarei os meus últimos pensamentos, a derradeira sinapse entre a vida e a morte. É esta música que ocupará legitimamente o lugar, o momento, o encerrar dos meus olhos, e o rarefeito ar que escapa por entre os lábios.

O que eu pensei sobre ti.

Um dia atípico. Pelo menos aparentou em certos momentos, ser um dia atípico.

Um dia que passou rápido, e no entanto com tanto para contar, com tantos significados para explorar.

Uma manhã de trabalho intenso, a culminar num convite para almoço por parte de dois colegas mais velhos.

Almoço no Design Hotel, um Martini para aperitivo, um vinho alentejano a acompanhar o Rissotto de Cogumelos selvagens, e um whisky com 12 anos para digestivo a cruzar-se com uma bela cigarrilha. Conversas variadas, conversas sérias, conversas de devaneio, conversas complicadas.

Disseram-me que este almoço simbolizava a minha entrada para um grupo restrito, uma espécie de iniciação ao clube de bons vivants lá do escritório. Quase um ritual de passagem entre os mais velhos e o jovem que entrou no circulo, o atingir da maturidade dentro de um escritório de advogados.

Foi esquisito, mas ao mesmo tempo senti-me integrado, nem que fosse no seio de uma espécie de "boa máfia" sob a asa dos influentes.

De volta ao escritório, sem cabeça para trabalhar, fui apaparicado por uma colega. Uma colega por quem já me interessei, mas que hoje em dia não me sendo totalmente indiferente, não nutro qualquer interesse ou sonho, ou perspectiva. Foi invulgarmente carinhosa e sugestiva, algo provocadora, e completamente ignorada.

Ignorei-a. Ignorei todas as insinuações das quais me alertaram, ignorei e sorri educadamente a um ou dois convites. Sorri e ignorei o facto de uma das secretárias ter comentado que era um desperdício eu estar solteiro, que eu era tão bom menino, e que se tivesse uma filha da minha idade, eu era o genro ideal. Ignorei o facto de dois ou três colegas estarem a planear um arranjinho entre mim e a nova administrativa, de quem eu disse logo não me encher o olho. Dispensei os esquemas e planos de uma ou outra colega de gabinete para me juntar com outra colega.

Quando me queixei que não queria ficar sozinho um dia destes, ignorei esse facto. Não quero ficar sozinho, mas coloquei de lado logo duas ou três oportunidades. Fechei os olhos e passei sempre.

Porque sou estúpido ou sou destemido, ou gosto de brincar com o meu destino, com a minha vida e com a minha paciência.

A verdade é que ignorei tudo hoje, porque não consegui ignorar uma pessoa.
Não consegui ignorar as brincadeiras. Não consegui ignorar uma daquelas paixonetas quase infantis, que sei que muito provavelmente nunca dará em nada, mas que só aquela picardia saudável, divertida, descontraída, preenche-me.

A troca de e-mails, de sms, de palavras. O avança e recua, tudo o que odeio, todo o jogo e brincadeira que repugno, desta vez faz-me sorrir. Porque sei que não vai dar em nada. Porque sei que é demasiado perfeito para mim. Porque sei que é um sonho, um desejo e não passa disso, mas porque ao mesmo acredito que fomos feitos um para o outro. Sei que preciso de alguém como ela e ela de alguém como eu. Por saber que tudo bate tão certo, que tudo está tão destinado a ser, por todas essas certezas, acredito que não passará do platónico. O eterno sonho.

Faz-me feliz. Ela faz-me feliz e faz-me sorrir. Tão simplesmente por ser como é, por ser quem é. Fico satisfeito com isso. Não conformado. Não fosse uma paixão proibida por inúmeras razões e eu certamente lutaria por ela. Cegamente. Com coragem, e sem me deixar demover pelo primeiro, segundo ou centésimo não da minha consciência, ou mesmo um não dela.

Vale a pena. Sei que ela vale a pena. Todas as lágrimas, todos os suspiros. Nunca chorei por ela, nunca suspirei por ela, mas sei que vale a pena, pelo simples facto de não sentir por aquela pessoa, nada mais que fascínio e alegria. É uma felicidade enorme conhece-la, te-la como parte da minha vida. Saber que faz parte de mim sem ter de para isso pedir licença. Gosto de tudo nela, mesmo do facto de saber que não é minha, e dificilmente o será. Mas o sonho...ai o sonho...desse não desisto, e enquanto andar nesta terra, se ela me quiser, serei dela, e se ela quiser que eu lute por ela, enfrentarei tudo. Esse sonho ninguém me tira.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

R.I.P.



ROBERT ENKE (1977-2009)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Valsa com Bashir

Excelente filme, em jeito de documentário, sobre a intervenção israelita na Guerra Civil do Líbano, nos anos 80. Retrata o esforço de um ex-soldado israelita em tentar relembrar-se se efectivamente participou ou não num massacre de palestinianos, já que aparentemente ficou amnésico devido ao choque.

A grande surpresa foi a banda sonora, conseguiu por-me a bater o pézinho.

Fica aqui um vídeo com alguns excertos do filme e com as músicas "I bombed Sidon" e "I bombed Beirut". Sou doente, eu sei.

O Êxodo


Ontem tive uma notícia algo inesperada. Um amigo meu de infância, que mora na mesma rua que eu, e que já conheço desde os 3 anos, alistou-se na Força Aérea. Licenciado em Economia desde 2007, já trabalhou na Sonae, era agora director de um departamento da Decathlon, mas...fartou-se. Isto não era vida para ele, chegou ao ponto de saturação. O que se passa com esta geração? Vai agora ser destacado para outros pontos do globo, quiçá Afeganistão ou Iraque, ou qualquer coisa do género.

Admiro-o, a sério. Não quer dizer que o admire por se ter alistado na Força Aérea e ir mandar uns balázios, mas sim por ter tido coragem de mandar isto tudo às urtigas. É de homem.

O conselho que vos deixo...#14

Olha, quando fores tomar banho assim meio ensonado, presta bem atenção ao shampoo que usas. É que depois usas o da tua prima que lá está, e passas o dia com cheiro a gajinha, assim meio floral.

domingo, 1 de Novembro de 2009

Absolutamente pungente

A Grande Reportagem SIC deste Domingo, "Os Laços e os Nós".

Dos testes exaustivos

O que é que esta menina não faz?

Até ver, ler ficheiros divx com legendas em formato .srt.

Fora isso, ela fez tudo.

Leu divx, leu ficheiros mkv (em definição "HD Ready", ou seja, 720p), reconheceu todas as pen drives que lhe liguei, mais os discos externos, reconheceu à primeira e sem espinhas um teclado USB, um headset USB com microfone e tudo, reconheceu também o auricular bluetooth do Nokia.

Ligou-se à internet quase sozinha com um cabo de rede. E com facilidade através de wireless.

E ainda posso jogar e ver filmes em BluRay nela.

Aprovada!

sábado, 31 de Outubro de 2009

É tempo de...


...testar o brinquedo novo. Exaustivamente!

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Com um sorriso no rosto, penso em ti.

Não és, nunca foste, e se calhar nunca serás minha.

Sei reconhecer o teu cheiro, sei apreciar o teu sorriso, já senti a tua mão no meu rosto, a tua face nos meus lábios, a tua pele nos meus dedos, e no entanto, nunca te tive, nunca foste minha.

Sei o que te provoca, sei como te fazer rir, sei que gostas que seja tonto e brincalhão, sei que admiras o meu lado sério e responsável, que valorizas o meu lado romantico, e que até achas graça à minha ingenuidade e esperança de que um dia alguém me valorize por tudo isto.

Não é irónico que tu o faças, que tu desejes que alguém veja em mim o que tu consegues ver, mas que nunca tenhas sido minha, e que nunca o venhas a ser?

Curiosa a vida que nos leva por caminhos e encontros tão trágicamente elaborados, como se o nosso desencontro fosse uma valsa ou um tango dançado à distância.

Curioso o facto de teres tanto de mim e eu de ti, de saber tanto o que sou e eu quem és, de não saber nomear mais ninguém que me pudesse dar toda a felicidade que ambiciono, e não ser teu, nem tu seres minha.

Ficamos assim talvez, no eterno desencontro, no desconhecimento de vontades, não vou mais longe em confissão, mais não me prolongo em promessas, nem me prendo em vontades. Largo desejos, necessidades, largo tudo isso, porque não consigo ir mais longe, não consigo enfrentar o desconhecido, e admito piamente que não me arrisco sem sentir a palma da tua mão na minha.

Como isso nunca vai acontecer, e sem derrotismos ou pessimismos, é simplesmente admitir um facto, uma realidade inegável, não quero sonhar nem mais um minuto, porque eu hoje sou de tudo ou nada, não danço em volta dos sonhos, só agarro e guardo o que me for real.

Esta minha opressão.

O receio sobre algo incerto é capaz de nos privar de tanta coisa. O medo aparvalhado do desconhecido é constante e incapacitante.

Muitas vezes penso que devia fazer certa coisa, beijar alguém, partilhar um pensamento, arriscar.

Tenho de perder os medos, tenho de arriscar..tenho de dizer, saber, fazer, perguntar...

Tenho de viver, sem receios.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

A música que eu uso para andar na rua.



Todos temos músicas para banda sonora da nossa vida. Eu quando vou andar na rua, tenho esta música como banda sonora dos meus passos.

Se calhar tenho outras, mas hoje foi esta.

Assim até tem lógica.

Não te dou a mão, não por vergonha, mas simplesmente porque não a pediste.

While you drove i sang to my inner self.

I see your smile hidden behind other obscured and yet confusing feelings.
I can feel the doubt pounding in your heart, like a savage beast against a cage.
The truthfulness of your eyes, the gentle and sweet touch of your hands, the delightful bitterness of your teeth carving the flesh of my lips. The point of my fingertips scrolling down your clothes. The smell of your hair, the silkiness of your neck, my pride, your desire, my anxious breathing burning in fire.
Dancing on the wire, until i manage to reach you, don’t knowing my faith, fading into the unknown, calling an angel to drive me into your arms.
Will i be able to have you one day? Maybe just for one day.
I would stay, there, for you, as i would care, much for you, as i would share, the most of me, and i would give me, for free, my heart, my soul, my all, for you.

Coisas que me dão pica.

Uma das coisas que me dá muita pica são gajas que trabalham no Pingo Doce...

Não sei explicar, mas fico doido.

Período de nojo

Devo confessar que ando um bocado desiludido com isto dos blogs. Não tem havido muito tempo nem muito vagar, as ideias não chegam a entrar para o papel e o papel não chega para as ideias que chegam em catadupa sempre que eu não estou para aqui virado.

O bichinho da escrita está sempre aqui, mas tem vindo a ser canalizado para outro lado. Se calhar a partir de agora não consigo vir aqui muitas vezes, mas um blog não é um compromisso com nada nem com ninguém, por isso ficamos assim.